Efeito anestésico mortal.
Esta é a consequência do ridículo que uma população se permite viver. Iludem os pequenos com uma história de "futuro da Nação", enquanto eles mesmos, já vividos (teoricamente), perpetuam cinicamente a descrença, os olhos míopes, a burrice elevada...
Nunca pensei, em minha vida toda, que poderia chegar um certo momento em que precisasse concordar com tal anestesia... de uns tempos pra cá, é só o que tenho feito. É triste saber que que estou me tornando uma ridícula, que pretende colocar no mundo pelo menos um filho... ainda não sei pra quê...
Eu tenho vergonha, Luiz. Por isso mesmo já escrevo tão pouco, publico e comento muito raramente alguma opinião sobre essa corja porca, imunda, nojenta, venenosa e tosca; socialmente conhecida como políticos. Se escolhemos, erramos. Se não damos a mínima e votamos em qualquer um, erramos também. Desse bando todo, salvam-se muito poucos... é uma pena.
Eu tenho alguns ídolos, um deles se chama Paulo Pavesi. É uma pena que, para provar tudo o que o próprio governo sempre soube, ele precisou pedir asilo político à Itália. E conseguiu. Lá ele provou que o governo brasileiro arrancou os órgãos de seu filho sem o seu consentimento. O menino, com morte cerebral, ainda não havia morrido e mesmo assim lhe arrancaram, para você ter idéia, as córneas. Pavesi é meu herói, porque quando penso em sua experiência e em sua força/ inteligência, reacende em mim a lembrança de que eu também preciso ter a força e conservar minha inteligência para lutar contra um bando de porcos enfeitados por colares de pérolas.
Nós somos passivos sim. E o efeito maior dessa passividade ainda não chegou. Eu imagino que seremos obrigados, por via dos fatos, a fazer aquilo que sempre adiamos na vida: tirar a bunda do sofá e fazer algo que preste.
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