Isto é Brasil: Calçadão de Copacabana. A "princesinha do mar" é conhecida pelo formato de ondas desenhado em seu calçadão. Foto: Luiz Maurício Pereira.
"Que a morte de tudo o que Eu acredito não me tape os ouvidos nem a boca"
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Calçadão de Copacabana
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Forte de Copacabana
Praia de Copacabana
Isto é Brasil: Praia de Copacabana, Rio de Janeiro, vista do Forte de Copacabana. Foto: Luiz Maurício Pereira.
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Arpoador, Rio de Janeiro
Isto é Brasil: Arpoador, Rio de Janeiro. Divisão entre as praias Copacabana e Ipanema. Foto: Luiz Maurício Pereira
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Vegetação nativa das praias do Rio de Janeiro
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Igreja da Candelária
Isso aí é Brasil: Teto da Igreja da Candelária, Rio de Janeiro, Brasil. Foto: Luiz Maurício Pereira.
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terça-feira, 20 de julho de 2010
E o Rio de Janeiro amanheceu cinza...
Estou no Rio de Janeiro. Essa é a primeira visita que faço à Cidade Maravilhosa convidado por uma amiga de colegial, que me abriga e me guia pelos pontos turísticos da cidade. Não sei você, mas todas as vezes em que viajo, costumo tirar o tempo do translado para pensar sobre as coisas aleatórias: como o avião com todo aquele peso; sobre a lenda da companhia aérea que economizou milhões cortando uma única azeitona do lanche servido a bordo; sobre como somos pequenos, em altura e humanidade, diante das cenas que passam pela janela; como todos somos “nivelados” social, preferencial e humanitariamente diante da fragilidade da vida. Além dessas, outras tantas coisas da vida pessoal que vão sendo analisadas no trajeto entre Uberaba, MG, cidade onde moro, até a casa de Elis. Esse à propósito é o nome da minha anfitriã, mineira de nascimento e carioca por vocação.
A cidade é linda. Se continua, como diz a música não sei, já que sou virgem por aqui, mas tanta beleza me foi roubada, e esse roubo foi num assalto à vida. Não conheci Rafael Mascarenhas, mas não pude deixar de sentir pesar, ao imaginar o sofrimento que a mulher que quebra o coco, mas não arrebenta a sapucaia sentiu. A exposição dos artistas ao nosso dia-a-dia tem esse poder de transformar a vida deles em parte da nossa. Não é humano crescer ouvindo a voz extrovertida todas as tardes durante a infância e não conseguir compartilhar da dor.
Mas o pesar que sinto hoje, não se limita ao sofrimento pelo qual imagino que Cissa Guimarães esteja passando. Ele se amplia, porque sabemos a quantidade de acidentes de transito que deixam vitimas fatais no Brasil. São mais de 27 mil mortos todos os anos no país, e esse número aumenta na medida da imprudência. Infelizmente ainda há pessoas que assumem a direção de volantes de automóveis e não tem respeito pela própria vida. A pergunta que passa pela minha cabeça é: onde nossa sociedade falhou?
Os governos investem em prevenção, as escolas investem em formação do carater cidadão, as auto-escolas se rendem às exigências dos órgãos de fiscalização do transito, a policia trabalha com prevenção... o fato é que essas ações não estão sendo suficiente para inibir o número crescente de acidentes, e talvez, seja incapaz de enraizar nos motoristas-cidadãos a consciência necessária para que entendam o tamanho da responsabilidade que tem nas mãos ao assumirem a direção de um carro. De fato, por trás da viabilidade desse enraizamento há que se mudar a cultura de irresponsabilidade no transito que nos é passada por nossos país, amigos e pela própria mídia. Enquanto escrevo esse texto, uma emissora de TV exibe cenas onde um personagem faz uma virada cinematográfica com o carro. Sem analisar a manobra ele faz com que vários carros batam. A cena cotidiana em filmes de ação pode parecer apenas um aperitivo visual para imprimir atos heróicos ao volante, mas o resultado é visto no cotidiano dos jornais. Há pouco, cerca de dois dias antes de minha viagem aqui pro Rio, um jovem em Uberaba participava de um racha, as 7 horas da manhã de uma sexta-feira, por uma das principais avenidas da cidade, quando perdeu o controle, bateu em três carros e causou a morte de um homem com pouco mais de sessenta anos, que se dirigia para o trabalho. Aos 21 anos, já se tornara responsável pela morte de uma pessoa. Hoje aqui no Rio, além da morte de Rafael, noticiava-se também o caso de um flanelinha que pegou a direção de um carro que iria manobrar e mesmo sem habilitação, saiu pelas ruas da cidade atropelando e matando uma pessoa.
Casos como este não chocam a midia por tanto tempo quanto o do goleiro Bruno e também não comovem a maior parte dos espectadores, estiguindo-se antes mesmo de que a sociedade possa refletir a gravidade das ações que permitem que esses crimes aconteçam. Critica-se muito a religião e “caretisse” de pais que são acusados de controlar o comportamento da sociedade, discussões deste tema a parte, já não seria hora de que a sociedade assuma o controle sob si mesma?
Hoje o Rio não continuou tão lindo. Pelo menos para os que imaginaram a dor de Cissa Guimarães. O que não pode, é esperarmos que essas tragédias se abatam sobre nossas famílias para que então comecemos a pensar e agir. E não podemos esquecer que são 27 mil famílias a cada ano.
A cidade é linda. Se continua, como diz a música não sei, já que sou virgem por aqui, mas tanta beleza me foi roubada, e esse roubo foi num assalto à vida. Não conheci Rafael Mascarenhas, mas não pude deixar de sentir pesar, ao imaginar o sofrimento que a mulher que quebra o coco, mas não arrebenta a sapucaia sentiu. A exposição dos artistas ao nosso dia-a-dia tem esse poder de transformar a vida deles em parte da nossa. Não é humano crescer ouvindo a voz extrovertida todas as tardes durante a infância e não conseguir compartilhar da dor.
Mas o pesar que sinto hoje, não se limita ao sofrimento pelo qual imagino que Cissa Guimarães esteja passando. Ele se amplia, porque sabemos a quantidade de acidentes de transito que deixam vitimas fatais no Brasil. São mais de 27 mil mortos todos os anos no país, e esse número aumenta na medida da imprudência. Infelizmente ainda há pessoas que assumem a direção de volantes de automóveis e não tem respeito pela própria vida. A pergunta que passa pela minha cabeça é: onde nossa sociedade falhou?
Os governos investem em prevenção, as escolas investem em formação do carater cidadão, as auto-escolas se rendem às exigências dos órgãos de fiscalização do transito, a policia trabalha com prevenção... o fato é que essas ações não estão sendo suficiente para inibir o número crescente de acidentes, e talvez, seja incapaz de enraizar nos motoristas-cidadãos a consciência necessária para que entendam o tamanho da responsabilidade que tem nas mãos ao assumirem a direção de um carro. De fato, por trás da viabilidade desse enraizamento há que se mudar a cultura de irresponsabilidade no transito que nos é passada por nossos país, amigos e pela própria mídia. Enquanto escrevo esse texto, uma emissora de TV exibe cenas onde um personagem faz uma virada cinematográfica com o carro. Sem analisar a manobra ele faz com que vários carros batam. A cena cotidiana em filmes de ação pode parecer apenas um aperitivo visual para imprimir atos heróicos ao volante, mas o resultado é visto no cotidiano dos jornais. Há pouco, cerca de dois dias antes de minha viagem aqui pro Rio, um jovem em Uberaba participava de um racha, as 7 horas da manhã de uma sexta-feira, por uma das principais avenidas da cidade, quando perdeu o controle, bateu em três carros e causou a morte de um homem com pouco mais de sessenta anos, que se dirigia para o trabalho. Aos 21 anos, já se tornara responsável pela morte de uma pessoa. Hoje aqui no Rio, além da morte de Rafael, noticiava-se também o caso de um flanelinha que pegou a direção de um carro que iria manobrar e mesmo sem habilitação, saiu pelas ruas da cidade atropelando e matando uma pessoa.
Casos como este não chocam a midia por tanto tempo quanto o do goleiro Bruno e também não comovem a maior parte dos espectadores, estiguindo-se antes mesmo de que a sociedade possa refletir a gravidade das ações que permitem que esses crimes aconteçam. Critica-se muito a religião e “caretisse” de pais que são acusados de controlar o comportamento da sociedade, discussões deste tema a parte, já não seria hora de que a sociedade assuma o controle sob si mesma?
Hoje o Rio não continuou tão lindo. Pelo menos para os que imaginaram a dor de Cissa Guimarães. O que não pode, é esperarmos que essas tragédias se abatam sobre nossas famílias para que então comecemos a pensar e agir. E não podemos esquecer que são 27 mil famílias a cada ano.
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