quarta-feira, 21 de novembro de 2007

O Haiti não é aqui

Nesta semana os jornais de todo o país trouxeram em suas manchetes duas notícias que chocam pela idade das vítimas. No Rio de Janeiro, um rapaz de vinte anos morreu ao ser atropelado por um ônibus enquanto lutava contra um bandido que segundos antes havia roubado de seu pai uma corrente de ouro, enquanto a família passeava pelas ruas da cidade. O rapaz veio da Itália (origem dele e da família) para assistir ao casamento do irmão com uma brasileira. É uma explicitação de que ainda que a cidade possua uma "Tropa de Elite", ela não é capaz de conter a violência que se espalha na cidade. Ainda que incapaz de evitar o fato a polícia da cidade mostra uma prontidão nas investigações , de fazer inveja aos seriados investigativos norte-americanos.

A outra notícia vem do Pará, onde uma adolescente de 15 anos, que havia sido detida em flagrante praticando crimes foi conduzida para a delegacia e, contrariando todas as legislações penais do país, foi presa junto com vinte bandidos. Durante um mês, a jovem foi submetida a estupros diários para que pudesse se alimentar. Ninguém fez nada em um mês... Carcereiros, policiais, delegados, direitos humanos... Ninguém. Afinal ela era apenas uma adolescente brasileira e não um turista europeu...

Não estou dizendo que o fato de a investigação estar sendo conduzida com rapidez seja errada, aliás, é o minimo que se deve oferecer à uma família que foi dilacerada por culpa da ineficiente segurança pública, mas quero chamar a atenção para o fato de que delegados concursados, policiais que se submeteram a meses de treinamento, não foram capazes de prever que a jovem seria violentada. Ou o que é pior, saber que isso poderia acontecer e ter colaborado para isso. Esses senhores deveriam ser considerados cumplíces do crime, ou melhor, mandantes. A garota não foi detida atoa. Mas isso não justifica o fato de entregá-la nas mãos de outros bandidos para que fosse abusada.

Infelizmente, mais uma vez, o poder público se mostrou incapaz de evitar que abusos tão violentos acontecessem. E o país continua tentando pacificar o Haiti.