sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Egoísmo

Ainda que tenhamos a capacidade de perceber a dor e o sofrimento dos que nos cercam, a maldição do egoísmo tratará de abrandá-los em nós e permitir que continuemos a viver as nossas vidas.

Muitos se perguntam “em que mundo estamos vivendo?”, “onde vamos parar?”, “até onde vai a maldade do ser humano?”... a resposta é simples: enquanto nos preocuparmos em saber e julgar “quem dorme com quem”, a cor dos amigos de nossos filhos e a classe social das pessoas com que nos relacionamos, estaremos fadados a mesmice e o fracasso que nos prendem a uma sociedade que é tolerante à intolerância.

O resultado é tangível: pessoas espancadas por sua opção sexual, pessoas segregadas em função da sua cor, pessoas se enfrentando por suas convicções religiosas, enfim, um ciclo de conflito que é capaz de assistir à dor e ao sofrimento sem se abalar. Mas o que esperar de uma raça “humana” capaz de olhar para esta foto, tirada há tempos, e ainda achar que há coisas mais importantes com o que se preocupar?



Infelizmente ainda há quem acredite em destino... Infelizmente ainda há quem acredite em ideais nazistas... Infelizmente ainda há quem acredite em estereótipos sexuais...

Felizmente, há quem acredite na capacidade humana de superação... há quem acredite na salvação do homem, pelo homem.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Debate Eleições Presidênciais 2010 - Rede Globo

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Debate Eleições 2010 - Rede Globo

Durante o debate do segundo turno realizado pela Globo, Eu (@luiz1110) recebo em meu blog os jornalistas @josuabarroso e @apcortes, além do publicitário e estudante de jornalismo, @joseadolfo, para participar de uma rodada de comentários. Começaremos às 22h45, horário de Brasília, com um bate-papo que se estenderá durante toda a transmissão. Nosso objetivo será falar sobre as propostas que os candidatos apresentarão durante o evento. Não temos a pretensão de ser portadores de verdades absolutas, nem nada parecido. Nossa única missão será comentar, de acordo com nossas visões políticas, nossas preferências e claro, o bom senso que nos é peculiar.

Serão comentários ácidos e poderemos, inclusive, cortar na própria carne!

Acompanhe!

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Idéias Desconexas de uma eleição que se aproxima

“Que tipo de sociedade nós queremos construir?” Devemos nos fazer essa pergunta diariamente. Enquanto a expectativa de vida de um cidadão de Burquina Faso é de 35 anos, o mesmo ser humano que habite na Suíça tem a expectativa de viver até os 85. esse é um retrato da mazela humana mestra de todas as outras: o egoísmo. O homem começou a viver em sociedade há milênios, mas até hoje objetiva dominar, conquistar e superar os demais. Costumamos referir ao conjunto de sociedades de “humanidade”, mas até que ponto fazemos jus a esse título?

Somos capazes de assistir a notícias de violência, tragédias, guerras e fome, como se o que assistimos fosse produto de uma ficção, quando na verdade é o distanciamento e a falta de empatia que nos confortam diante dessas situações. Nos preocupamos mais com o que nos satisfaz do que com o que é melhor para nossa sociedade. Exemplo claro disso é o resultado das eleições brasileiras. Deputados-Estrela, Deputados-Mensaleiros, Deputados-Palhaço, Presidente-Bandido, Senadores-Corruptos, títulos que de certa forma já soam como pleonasmos. Marcelo Madureira, humorista do programa Casseta e Planeta, afirmou “A desmoralização que o Governo Lula promoveu contra a classe política demorará décadas para ser recuperada”. E de fato o é. Lula não foi de todo ruim para o Brasil. Pelo contrário, a decisão de manter as políticas de econômicas e de investimento estrutural lançadas por Fernando Henrique Cardoso, garantiu ao país colher os frutos da estabilidade monetária e promover o crescimento do PIB. O que não se faz justo no circo do presidente é a afirmação messiânica de que é o salvador do país.

Envolto em escândalos de corrupção sem igual, o governo Lula se safou de toda e qualquer punição com duas premissas: “Não sei, Não vi” e “Toma uma bolsa aqui”. Uma avalanche de programas sociais que deturparam o sentido real de um desenvolvimento sustentável. Esqueceu-se o ditado “Dar a vara e ensinar a pescar”, já ultrapassado e substitui-se por “Dar o peixe e indicar em quem votar”. Paulo Maluf é mais honesto do que Lula. Maluf ganhou o slogan “Rouba Mas Faz”. É atacado por todos os lados e se defende com a frase “nunca fui condenado”. Lula usa sua artimanhas diferentes. Seu slogan poderia ser “Rouba mas divide”. Sua defesa já nos é conhecida: “não sei de nada”. E realmente não sabe presidente.

Após escândalos caudalosos, José Dirceu teve que sair de fininho. Em seu lugar, buscou uma mulher saída das escuras, instalou-lhe cordões e promoveu o maior show de marionetes da história do Brasil. Dilma é produto da mesma fórmula que levou Lula a presidência: Caixa 2, boa propaganda e promessas de salvação do mundo. Dilma não é a primeira candidata inventada. Isso já aconteceu antes, com Fernando Collor. O resultado...

Não acredito, verdadeiramente, ser a Presidência da República um espaço para experiências. Gosto da alternância e sei que Dilma será comandada por Lula nos próximos 4 anos, caso eleita. Não sei se José Serra será o melhor presidente da “história deste país”, mas pelo menos sei que ele já foi testado e aprovado pelas urnas. Meu sonho seria um segundo turno onde poderíamos escolher entre Serra e Marina. Não foi possível.

Agora assisto Lula atacar a imprensa livre e o PT a atacar instituições como os Correios e a Receita Federal, usando-nas para enriquecer no poder e exercer seu terrorismo de Estado. Não quero Lula por mais 4 anos e Não quero Dilma por mais 4 anos. Isso é fato. Espero, verdadeiramente, que o povo brasileiro tenha um rompante de humanidade e reflita “Que tipo de sociedade nós queremos construir?” antes de votar no próximo dia 31 de outubro. Afinal, a Esperança é a penúltima que morre. Afinal, Sarney vive.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

...

Cada um de nós é como um livro… Que guarda sua própria história, com início, meio e fim…Nosso corpo é só uma casa onde a alma habita e a morte é o último vôo de nossa alma… Que parte por não caber mais nessa casa, como se quisesse começar uma nova história, um novo livro.
Cada minuto que passa pode ser tudo que me resta para viver,mas eu desperdiço o tempo como se ele fosse infinito.
Penso, logo sei que existir é uma circunstância.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Quanto vale seu voto?

Nesse ano de 2010 as atenções estão voltadas para a Copa do Mundo de Futebol. Mas um outro evento, mais importante do que a própria Copa, também deve mobilizar o Brasil.

As eleições presidenciais, que graças à democracia estável do país, acontecem regularmente a cada 4 anos, serão realizadas em outubro, e nós como principais interessados no processo eleitoral devemos atentar para a necessidade de refletir bem antes de dar nosso voto nas urnas.

Historicamente, o eleitorado brasileiro é visto como de fácil manipulação econômica. Isso se dá, porque desde o início da República, em 1889, os eleitores são levados a votar com motivação pessoalmente financeira, isso quer dizer, em poucas palavras, que o brasileiro vende seu voto.

Em tempos de eleição não é difícil encontrar nos jornais e na TV denúncias de compra de votos. E os votos são vendidos a preço de banana. Dentaduras, Cestas Básicas, Convites pra Churrasco, promessas de cargos, todas essas coisas são oferecidas em troca do voto e muitos eleitores não vêem problema em trocar seu voto por essas coisas: “votar não me dá nada, mas se eu votar neles eu ganho essas coisas” pensam a maior parte do eleitorado.

Até o dia 2 de julho, todos os brasileiros pagaram juntos R$ 597 bilhões de reais em impostos para os governos federal, estadual e municipal, essa quantia espantosa apenas em 2010. Para se ter uma idéia, isso mostra que se o imposto não fosse embutido em produtos e serviços, cada brasileiro teria pago ao governo R$3.109,55. Imagine que em sua casa morem 4 pessoas, só sua família teria entregue ao governo R$ 12.438,20 em 6 meses. Esse dinheiro poderia até ser considerado justo se em troca o governo nos oferecesse boas estradas, saúde pública de qualidade, um sistema educacional que não obrigasse os estudantes a viver na mediocridade intelectual, segurança pública, condições de moradia e transporte público eficiente. É aí que entra a importância de nosso voto.

Senadores, Deputados, Governadores, Prefeitos, Vereadores, Presidente da República. São eles os responsáveis por administrar todo o dinheiro arrecadado por nossos impostos. Pessoas comuns, como eu e você, que só conseguem chegar a esses cargos eleitos pelo voto. E cada voto conta na hora de definir quem pode assumir.

Ao invés de chegar, em forma de benefícios, até os brasileiros, o dinheiro dos nossos impostos é desviado no caminho. São obras superfaturadas, merenda escolar de baixa qualidade e alto custo, professores mal remunerados, escolas degradadas, hospitais à mercê da sorte, estradas esburacadas, filas de desempregados, violência nas ruas, que mostram a nossa incompetência na hora de escolher e cobrar de nossos representantes.

Agora que a Copa do Mundo acabou, continue com seu espírito cívico também na hora de escolher seu voto. Somos excelentes técnicos de futebol por natureza, que consigamos ser também excelentes técnicos na hora de escalar o time que vai comandar nosso país. E antes de escolhermos nossos candidatos, vamos pensar bem: ‘’Quanto vale o seu voto?’’.

Horóscopo para Áries. Especial Cardoso K

A Lua minguante em Libra vai provocar um descompasso em sua vida amorosa/profissional. Você deve ter cautela com os projetos que iniciou e pode se decepcionar com uma traição vinda de alguém próximo. Mas não se preocupe, essa fase negativa passará quando a Lua crescente atravessar o signo de Câncer, quando então as portas para o amor se abrirão. Use rosa e seu numero de sorte é o 3.

A volta...

Mais um ano de trabalho se inicia hoje! Vamos torcer para eu conseguir movimentar mais isso aqui!

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Calçadão de Copacabana


Isto é Brasil: Calçadão de Copacabana. A "princesinha do mar" é conhecida pelo formato de ondas desenhado em seu calçadão. Foto: Luiz Maurício Pereira.

Forte de Copacabana


Isto é Brasil: Forte de Copacabana, vista dos canhões que fazem a guarda do forte. Foto: Luiz Maurício Pereira.

Praia de Copacabana


Bloco de textoIsto é Brasil: Praia de Copacabana, Rio de Janeiro, vista do Forte de Copacabana. Foto: Luiz Maurício Pereira.

Arpoador, Rio de Janeiro


Isto é Brasil: Arpoador, Rio de Janeiro. Divisão entre as praias Copacabana e Ipanema. Foto: Luiz Maurício Pereira

Vegetação nativa das praias do Rio de Janeiro

Isto é Brasil: Vegetação nativa das áreas costeiras cariocas. Foto: Luiz Maurício Pereira. O local da foto é patrocinado pela Osklen.

Igreja da Candelária


Isso aí é Brasil: Teto da Igreja da Candelária, Rio de Janeiro, Brasil. Foto: Luiz Maurício Pereira.

terça-feira, 20 de julho de 2010

E o Rio de Janeiro amanheceu cinza...

Estou no Rio de Janeiro. Essa é a primeira visita que faço à Cidade Maravilhosa convidado por uma amiga de colegial, que me abriga e me guia pelos pontos turísticos da cidade. Não sei você, mas todas as vezes em que viajo, costumo tirar o tempo do translado para pensar sobre as coisas aleatórias: como o avião com todo aquele peso; sobre a lenda da companhia aérea que economizou milhões cortando uma única azeitona do lanche servido a bordo; sobre como somos pequenos, em altura e humanidade, diante das cenas que passam pela janela; como todos somos “nivelados” social, preferencial e humanitariamente diante da fragilidade da vida. Além dessas, outras tantas coisas da vida pessoal que vão sendo analisadas no trajeto entre Uberaba, MG, cidade onde moro, até a casa de Elis. Esse à propósito é o nome da minha anfitriã, mineira de nascimento e carioca por vocação.
A cidade é linda. Se continua, como diz a música não sei, já que sou virgem por aqui, mas tanta beleza me foi roubada, e esse roubo foi num assalto à vida. Não conheci Rafael Mascarenhas, mas não pude deixar de sentir pesar, ao imaginar o sofrimento que a mulher que quebra o coco, mas não arrebenta a sapucaia sentiu. A exposição dos artistas ao nosso dia-a-dia tem esse poder de transformar a vida deles em parte da nossa. Não é humano crescer ouvindo a voz extrovertida todas as tardes durante a infância e não conseguir compartilhar da dor.
Mas o pesar que sinto hoje, não se limita ao sofrimento pelo qual imagino que Cissa Guimarães esteja passando. Ele se amplia, porque sabemos a quantidade de acidentes de transito que deixam vitimas fatais no Brasil. São mais de 27 mil mortos todos os anos no país, e esse número aumenta na medida da imprudência. Infelizmente ainda há pessoas que assumem a direção de volantes de automóveis e não tem respeito pela própria vida. A pergunta que passa pela minha cabeça é: onde nossa sociedade falhou?
Os governos investem em prevenção, as escolas investem em formação do carater cidadão, as auto-escolas se rendem às exigências dos órgãos de fiscalização do transito, a policia trabalha com prevenção... o fato é que essas ações não estão sendo suficiente para inibir o número crescente de acidentes, e talvez, seja incapaz de enraizar nos motoristas-cidadãos a consciência necessária para que entendam o tamanho da responsabilidade que tem nas mãos ao assumirem a direção de um carro. De fato, por trás da viabilidade desse enraizamento há que se mudar a cultura de irresponsabilidade no transito que nos é passada por nossos país, amigos e pela própria mídia. Enquanto escrevo esse texto, uma emissora de TV exibe cenas onde um personagem faz uma virada cinematográfica com o carro. Sem analisar a manobra ele faz com que vários carros batam. A cena cotidiana em filmes de ação pode parecer apenas um aperitivo visual para imprimir atos heróicos ao volante, mas o resultado é visto no cotidiano dos jornais. Há pouco, cerca de dois dias antes de minha viagem aqui pro Rio, um jovem em Uberaba participava de um racha, as 7 horas da manhã de uma sexta-feira, por uma das principais avenidas da cidade, quando perdeu o controle, bateu em três carros e causou a morte de um homem com pouco mais de sessenta anos, que se dirigia para o trabalho. Aos 21 anos, já se tornara responsável pela morte de uma pessoa. Hoje aqui no Rio, além da morte de Rafael, noticiava-se também o caso de um flanelinha que pegou a direção de um carro que iria manobrar e mesmo sem habilitação, saiu pelas ruas da cidade atropelando e matando uma pessoa.
Casos como este não chocam a midia por tanto tempo quanto o do goleiro Bruno e também não comovem a maior parte dos espectadores, estiguindo-se antes mesmo de que a sociedade possa refletir a gravidade das ações que permitem que esses crimes aconteçam. Critica-se muito a religião e “caretisse” de pais que são acusados de controlar o comportamento da sociedade, discussões deste tema a parte, já não seria hora de que a sociedade assuma o controle sob si mesma?
Hoje o Rio não continuou tão lindo. Pelo menos para os que imaginaram a dor de Cissa Guimarães. O que não pode, é esperarmos que essas tragédias se abatam sobre nossas famílias para que então comecemos a pensar e agir. E não podemos esquecer que são 27 mil famílias a cada ano.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

O Twitter foi subvertido

O Twitter foi subvertido. Não que essa tenha sido uma má notícia, mas de fato, foi o que aconteceu. Prova clara disso é a pergunta que se lia no topo do formulário de envio das mensagens no site: “What are you doing?” (O que você está fazendo?). Outrora respondida à risca no início das atividades do site, hoje é seguida de respostas que mais demonstram o estado de espírito dos usuários e suas revoltas sociais, econômicas ou políticas.

E isso foi sucesso. De mero anunciador de banalidades a ferramenta passou a oferecer um sistema simples de informação e reflexão, que une os “twitters” em grupos de interesse. A ferramenta passou a exercer a função de headnews no melhor estilo “Você Repórter”.

E seguindo à risca o conselho “não pode vencê-los, junte-se a eles!”, o site agora trás outra pergunta: “What’s happening?” sinal claro de que a função agora é outra. E o Twitter tornou-se agora mais um inimigo das empresas de comunicação jornalística. Depois da popularização da ferramenta, o Furo, foi furado. Michael Jackson, Farah Fawcett e Brittany Murphy já estavam mortos há tempos no Twitter quando as primeiras notícias surgiram nas redes de TV e nos portais de internet.

O uso nas empresas

Muitas empresas já adotam a utilização da ferramenta em suas ações de comunicação, tarefa importante que se torna desgastante se for realmente gerida com cautela. A velocidade com que as informações são divulgadas e a facilidade com que as pessoas podem emitir suas opiniões fazem do Twitter uma ferramenta poderosa, para o bem ou para mal. Por exemplo, em suas recentes férias, o humorista Evandro Santo, que dá forma ao personagem Christian Pior (Pânico na TV), teve problemas com a agência de viagens na qual ele havia feito o pacote para curtir as férias. Visivelmente nervoso (deixaremos aqui de analisar o mérito da situação), foi ao Twitter desabafar. Contou os problemas enfrentados e armou o barraco, claro, citando o nome da empresa envolvida. Não demorou nem cinco minutos para que os seus primeiros seguidores (o humorista tem 711 seguidores no perfil @SantoEvandro) manifestassem experiências semelhantes com a empresa, seguidos de incalculáveis “RT’s” (re-twitts, ou republicação do Twitt de outro usuário) bombassem por toda a rede. Isso mostra a capacidade da ferramenta em mobilizar pessoas em torno de causas. Os Flash Mobs, já discutidos no fórum anterior, também encontraram no Twitter um espaço para disseminar seus projetos e mobilizar participantes.

Como comunicólogo, fico ainda inconformado com os departamentos de SI das empresas que promovem censura ou restrição ao uso destes sites no ambiente de trabalho. Certo que os defensores do bloqueio alegam ser uma ferramenta que vai contra a produtividade, mas a realidade mostra o contrário. Os abusos cometidos por funcionários devem ser repreendidos e até punidos, mas o ato de bloquear essas ferramentas (entenda-se por todas as mídias sociais) leva apenas a um atraso na comunicação da empresa e a faz correr na contramão da própria sociedade pela qual ela trabalha. É função dos departamentos de comunicação (ou na falta deles, o assessor de comunicação) alertarem a diretoria da empresa para a necessidade de se posicionarem de maneira proativa e utilizar essas ferramentas, incorporando suas funcionalidades à atividade laboral e promovendo através dela as demandas da corporação.

Enfim, é dever do responsável pela comunicação da empresa (seja a interna ou a externa) zelar para que a empresa não fique fora das novas tecnologias. E esse dever é exercido através da ação participativa nessas redes. Há quem “deteste” Orkut, FaceBook, Twitter, Via6, Blogger, etc... e prefira ficar de fora do universo das mídias digitais. Mas essa saída tem um preço alto, se comparada às vantagens advindas da utilização responsável e consciente dessas ferramentas. Enquanto escrevo este artigo/comentário recebi um “twitti” que dizia “Como é doce o sabor de baixar algo que pagaria R$ 60,00.” Junto à mensagem seguia o link para download pirata do novo álbum da cantora Laura Pausini. Digitei RT dizendo “Pirataria é Crime =o” e pronto. Estava armado o debate. Em cerca de um único minuto, seis usuários já debatiam sobre hipocrisia, crimes digitais, “analfabytismo”, entre outras coisas. Isso mostra o poder da ferramenta na própria formação da opinião da sociedade/usuários, apesar de acalorado terminamos todos nos abraçando no Buddy Poke.

Diferentemente do que se pensa e é levantado por aqueles que são contra as mídias sociais e o jornalismo na internet, ferramentas como o Twitter e o RSS não prejudicam a informação. A dinâmica dessas ferramentas, que limitam o uso de caracteres, vem justamente da sua característica instantânea, e não podemos esquecer que no caso do Twitter, a ferramenta foi subvertida. Sua função inicial era justamente informar “O que você está fazendo?”, os novos usuários foram os que forçaram a ferramenta a adotar o modelo “o que acontece?” postando “notícias” sobre o cotidiano.

Os apocalípticos sempre aproveitam o surgimento de novas ferramentas para anunciar o fim do jornalismo (ou de sua qualidade), mas sempre sobrevivemos. E sobrevivemos porque apesar de instantâneas e de largo alcance, essas ferramentas não substituem o jornalismo. Um exemplo prático: na madrugada de hoje (7 de janeiro) a cidade de Uberaba enfrentou uma chuva de aproximadamente uma hora de duração, suficiente para promover uma das maiores enchentes já ocorrida na cidade, mas que devido à experiência anterior não trouxe conseqüências trágicas. Ainda na madrugada, um morador do centro da cidade registrou, da sacada do primeiro andar do prédio onde mora, as imagens da enchente. Postou o vídeo no Youtube e enquanto os jornais da cidade estampavam na manchete da manha de hoje noticias sobre operações da policia, inaugurações, festas, etc., usuários do Twitter, já publicavam às 7 da manhã (cerca de três horas após a chuva) o link para o vídeo. Isso não impediu que as emissoras de televisão da cidade passassem a manhã entrevistando autoridades, percorrendo hospitais em busca de possíveis feridos, realizando imagens dos estragos, muito menos prejudicou o trabalho dos redatores e fotógrafos na busca pelos relatos do caos. E certamente, a maioria dos que acompanharam os relatos via Twitter ou ainda que assistiram ao vídeo no youtube, também sairão na busca do desenrolar dos 140 caracteres iniciais. E é justamente aí onde está a questão: tudo depende do interesse do receptor e não só das ferramentas de informação disponíveis. O segredo é estar presente e utilizar essas ferramentas, na busca de atingir o maior público possível. O Twitter foi subvertido, mas isso não é tão mau assim.
(Extraído do Fórum de Novas Mídias. Curso de Pós Graduação em Comunicação Corporativa da UGM - Por Luiz M. Pereira, Jornalista e Assessor de Comunicação. Ex-aluno do Curso de Jornalismo da UNIUBE)