sábado, 17 de fevereiro de 2007

É pra chorar!


Diamantina, interior de Minas, 1914.

O jovem Juscelino Kubitschek, de 12 anos, ganha seu primeiro par de sapato. Passou fome. Jurou estudar e ser alguém. Com inúmeras dificuldades, concluiu Medicina e se especializou em Paris. Como presidente, modernizou o Brasil. Legou um rol impressionante de obras; humilde e obstinado, era (e ainda é) querido por todos até hoje.

Brasília, 2003.

Lula assume a presidência. Arrogante, se vangloria de não ter estudado. Acha bobagem falar inglês. "Tenho diploma da vida", afirma. E para ele basta. Meses depois, diz que ler é um hábito chato. Quando era sindicalista, percebeu que poderia ganhar sem estudar e sem trabalhar - sua meta até hoje, ao que parece. Exemplo para estudantes e trabalhadores...

Londres, 1940.

Os bombardeios são diários, e uma invasão aeronaval nazista é iminente. O primeiro-ministro W. Churchill pede ao rei George VI que vá para o Canadá. Tranqüilo, o rei avisa que não vai. Churchill insiste: então que, ao menos, vá a rainha com as filhas. Elas não aceitam e a filha mais velha entra no exército britânico; como tenente-enfermeira, sua função é recolher feridos em meio aos bombardeios. Hoje ela é a rainha Elizabeth II.

Brasília, 2005.

A primeira-dama Marisa Letícia requer cidadania italiana - e consegue. Explica, ingenuamente, que quer "um futuro melhor para seus filhos...". ????????

Washington, 1974.

A imprensa americana descobre que o presidente Richard Nixon está envolvido até o pescoço no caso Watergate.
Ele nega, mas jornais e Congresso o encostam contra a parede, e ele acaba confessando. Renuncia nesse mesmo ano, pedindo desculpas ao povo.

Brasília, 2005.

Flagrado no maior escândalo de corrupção da história do País, e tentando disfarçar o desvio de dinheiro público em caixa 2, Lula é instado a se explicar. Ante as muitas provas, Lula repete o "eu não sabia de nada!", e ainda acusa a imprensa de persegui-lo, posando como vítima. Disse que foi "traído...", mas não conta por quem.

Londres, 2001.

O filho mais velho do primeiro-ministro Tony Blair é detido, embriagado, pela polícia. Sem saber quem ele é, avisam que vão ligar para seu pai buscá-lo. Com medo de envolver o pai num escândalo, o adolescente dá um nome falso. A polícia descobre e chama Blair, que vai sozinho à delegacia buscar o filho, numa madrugada chuvosa. Pediu desculpas ao povo pelos erros do filho.

Brasília, 2005.

O filho mais velho de Lula, o Fábio Luis Lula da Silva, é descoberto recebendo R$ 5 milhões de uma empresa financiada com dinheiro público. Alega que recebeu a fortuna vendendo sua empresa Gamecorp, de fundo de
quintal, que não valia nem um décimo disso. O pai, raivoso, o defende e diz que não admite que envolvam seu filhinho mimado nessa "sujeira". Qual sujeira?

Nova Délhi, 2003.

O primeiro-ministro indiano pretende comprar um avião novo para suas viagens. Adquire um excelente, brasileiríssimo EMB 195, da Embraer, por US$ 10 milhões.

Brasília, 2003.

Lula quer um avião novo para a presidência. Fabricado no Brasil não serve. Como todo novo-rico quer um dos caros, de um consórcio anglo-alemão. Gasta US$ 57 milhões e manda decorar a aeronave de luxo nos EUA.

NÓS MERECEMOS OS GOVERNANTES QUE TEMOS, O QUE FIZEMOS E O QUE FAREMOS ?

Carta enviada por Danusa Leão à Primeira Dama do Brasil

D. MARISA, a senhora deve estar muito feliz; seu marido ganhou as eleições, e será presidente por mais quatro anos. Parabéns.
Imagino que quando ele foi eleito pela primeira vez, deve ter sido difícil para a senhora; seria para qualquer mulher. Se habituar a uma nova vida, ter que fazer coisas em que nunca pensou; por outro lado, não poder mais fazer um monte de coisas às quais estava habituada, ter que obedecer ao protocolo, andar cercada por seguranças, não poder entrar num shopping -a senhora deve ser louca por um shopping, não?- e tendo que ter uma vida privada quase secreta, já que a imprensa está sempre de olho.

De olho para falar da cor do esmalte de suas unhas, do penteado, do botox que botou -ou não-, e correndo sempre o risco de alguém de sua intimidade ser indiscreta e contar o que a senhora come no café da manhã, se faz dieta, se fuma, enfim, todas essas coisas que qualquer mulher tem liberdade para fazer, menos a primeira-dama.

Devem ter sido quatro anos difíceis, mas já passaram.
Agora a senhora tem mais quatro pela frente; quais são seus planos?
Não seria hora de fazer alguma coisa além de ficar sentada naquela cadeirinha, nas cerimônias oficiais, enquanto seu marido discursa? Ah, d. Marisa, esse país é cheio de problemas, e a senhora poderia ajudar em alguma coisa. Já existe o Bolsa Família e o Fome Zero, mas ainda há muita coisa a ser feita.

Não digo que a senhora seja a mulher mais poderosa do país, mas é casada com o homem mais poderoso, por isso pode decidir fazer o que quiser, e terá toda a ajuda de que precisar. Ajuda financeira, e ajuda de centenas de mulheres que adorariam colaborar com qualquer coisa que a senhora inventasse fazer.
Capacidade a senhora tem: não me esqueço de um programa de televisão onde a vi fazendo sanduíches para vender nas assembléias de metalúrgicos, anos antes de sonhar onde iria chegar.
Esse tipo de coisa a senhora não precisa mais fazer, mas existem outras que não seriam nenhum sacrifício, e que poderiam fazê-la até muito feliz por estar ajudando o governo de seu marido. Porque botar uma camiseta, sorrir e aplaudir, convenhamos, é muito pouco.

Fazer o quê? Não falta quem lhe diga. Seu marido tem um monte de assessores, todos prontos para ter 50 idéias geniais para que a senhora faça alguma coisa que melhore a vida de quem precisa. A senhora é forte, decidida, e não tem sentido passar mais quatro anos trocando de terninho para acompanhar o presidente nas viagens, sorrindo para os fotógrafos, não dizer nada sobre assunto algum, e não fazer rigorosamente nada.

Não que a senhora tenha obrigação, mas seria bacana termos uma primeira-dama engajada em algum projeto social, fosse ele qual fosse.
Mas se a senhora quiser continuar a viver a vidinha que vive há quatro anos, poderia pelo menos - pela imagem, d. Marisa, pela imagem - visitar às vezes um hospital público (sem avisar, para ver a fila na porta), uma creche, uma escola, para mostrar que se interessa pelos mais necessitados, e que seus próximos quatro anos não serão mais apenas umas férias passadas entre o Alvorada e a Granja do Torto, além de viajar pelo mundo no seu luxuoso jatinho. Pense nisso, d. Marisa. Pegaria muito bem.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

A culpa é nossa!

Essa semana uma noticia na TV me deixou atônito e desesperado. Uma criança de seis anos foi arrastada por mais de seis quilômetros, presa à um sinto de segurança, no carro de sua mãe, que havia sido roubado a instantes por cinco marginais nas ruas da cidade “maravilhosa”. A dor da família desta criança é a repetição da dor da família de milhares de brasileiros vítimas diárias da violência no Brasil.

Há pouco menos de um ano o estado de São Paulo sofria com uma ditadura do crime, que caçava qualquer pessoa que pudesse representar a segurança dos cidadãos. Na época, a mesquinhez eleitoral não permitiu que as tropas de segurança do governo federal atacassem o crime.

Agora eu pergunto: essa força nacional de segurança conseguiria acabar com os ataques e combater o crime no estado? Traria mais segurança a população e protegeria as nossas crianças? Não, a crua realidade do assassinato brutal da criança do Rio, mostra que não. Essa Força Nacional, da qual o presidente se orgulha, está lá e nada fez para impedir essa barbárie.

A culpa é nossa! Nossa, porque acompanhamos diariamente nos jornais, nos relatos dos amigos e nas nossas próprias experiências, o descaso e a inoperância das instâncias públicas, diante da manutenção dos nossos direitos constitucionais.

Pessoas morrendo em filas de hospitais, dormindo nos corredores por falta de leitos, definhando à procura de atendimento médico. Pessoas morrendo em assaltos enquanto vão e voltam do seu trabalho, pessoas morrendo quando aproveitam os únicos minutos de lazer do seu dia.

Há pouco enfrentamos um dos escândalos mais vergonhosos da política brasileira. Saímos deste escândalo, com mais vergonha ainda, por saber que mais uma vez, para não quebrar o tradicionalismo da política do nosso país, tudo acabou em pizza. O Dirceu que foi cassado, abraça o “presidente” e pede ao congresso Anistia!. E pensar que os porões da ditadura perderam a preciosa chance de caçá-los por antecipação.

Diz-se que a morte do menino João reacendeu as discussões pela diminuição da maioridade penal, e o presidente, mais uma vez, naqueles discursos longos, utópicos e preparados por letrados, diz que isso não resolve e é aplaudido, por pessoas que certamente sequer prestaram atenção no que ele falava.

O estatuto da criança e do adolescente traz dois títulos interessantes:”O direito à vida e à saúde” e “O direito à liberdade, ao respeito e à dignidade”. João teve todos esses direitos negados, enquanto o menor que estava no banco de trás vendo o garoto ser arrastado terá todos os benefícios deste mesmo estatuto, para cumprir o máximo de três anos de detenção em regime de tratamento em alguma unidade de menores.

Daqui a alguns anos, ninguém mais, exceto a própria família, lembrará da história do João, novos escândalos surgirão no congresso, mais pessoas serão mortas, assaltadas e abandonadas nos hospitais da rede pública e nada vai mudar. E a culpa...

A menos que você faça alguma coisa agora!



Créditos:

  • Revisão ortográfica: Viviane Santos
TEXTO PRODUZIDO EM 09 DE FEVEREIRO DE 2007 EM PROTESTO PELO ASSASSINATO DO MENINO JOÃO HÉLIO NO RIO DE JANEIRO.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007