terça-feira, 20 de julho de 2010

E o Rio de Janeiro amanheceu cinza...

Estou no Rio de Janeiro. Essa é a primeira visita que faço à Cidade Maravilhosa convidado por uma amiga de colegial, que me abriga e me guia pelos pontos turísticos da cidade. Não sei você, mas todas as vezes em que viajo, costumo tirar o tempo do translado para pensar sobre as coisas aleatórias: como o avião com todo aquele peso; sobre a lenda da companhia aérea que economizou milhões cortando uma única azeitona do lanche servido a bordo; sobre como somos pequenos, em altura e humanidade, diante das cenas que passam pela janela; como todos somos “nivelados” social, preferencial e humanitariamente diante da fragilidade da vida. Além dessas, outras tantas coisas da vida pessoal que vão sendo analisadas no trajeto entre Uberaba, MG, cidade onde moro, até a casa de Elis. Esse à propósito é o nome da minha anfitriã, mineira de nascimento e carioca por vocação.
A cidade é linda. Se continua, como diz a música não sei, já que sou virgem por aqui, mas tanta beleza me foi roubada, e esse roubo foi num assalto à vida. Não conheci Rafael Mascarenhas, mas não pude deixar de sentir pesar, ao imaginar o sofrimento que a mulher que quebra o coco, mas não arrebenta a sapucaia sentiu. A exposição dos artistas ao nosso dia-a-dia tem esse poder de transformar a vida deles em parte da nossa. Não é humano crescer ouvindo a voz extrovertida todas as tardes durante a infância e não conseguir compartilhar da dor.
Mas o pesar que sinto hoje, não se limita ao sofrimento pelo qual imagino que Cissa Guimarães esteja passando. Ele se amplia, porque sabemos a quantidade de acidentes de transito que deixam vitimas fatais no Brasil. São mais de 27 mil mortos todos os anos no país, e esse número aumenta na medida da imprudência. Infelizmente ainda há pessoas que assumem a direção de volantes de automóveis e não tem respeito pela própria vida. A pergunta que passa pela minha cabeça é: onde nossa sociedade falhou?
Os governos investem em prevenção, as escolas investem em formação do carater cidadão, as auto-escolas se rendem às exigências dos órgãos de fiscalização do transito, a policia trabalha com prevenção... o fato é que essas ações não estão sendo suficiente para inibir o número crescente de acidentes, e talvez, seja incapaz de enraizar nos motoristas-cidadãos a consciência necessária para que entendam o tamanho da responsabilidade que tem nas mãos ao assumirem a direção de um carro. De fato, por trás da viabilidade desse enraizamento há que se mudar a cultura de irresponsabilidade no transito que nos é passada por nossos país, amigos e pela própria mídia. Enquanto escrevo esse texto, uma emissora de TV exibe cenas onde um personagem faz uma virada cinematográfica com o carro. Sem analisar a manobra ele faz com que vários carros batam. A cena cotidiana em filmes de ação pode parecer apenas um aperitivo visual para imprimir atos heróicos ao volante, mas o resultado é visto no cotidiano dos jornais. Há pouco, cerca de dois dias antes de minha viagem aqui pro Rio, um jovem em Uberaba participava de um racha, as 7 horas da manhã de uma sexta-feira, por uma das principais avenidas da cidade, quando perdeu o controle, bateu em três carros e causou a morte de um homem com pouco mais de sessenta anos, que se dirigia para o trabalho. Aos 21 anos, já se tornara responsável pela morte de uma pessoa. Hoje aqui no Rio, além da morte de Rafael, noticiava-se também o caso de um flanelinha que pegou a direção de um carro que iria manobrar e mesmo sem habilitação, saiu pelas ruas da cidade atropelando e matando uma pessoa.
Casos como este não chocam a midia por tanto tempo quanto o do goleiro Bruno e também não comovem a maior parte dos espectadores, estiguindo-se antes mesmo de que a sociedade possa refletir a gravidade das ações que permitem que esses crimes aconteçam. Critica-se muito a religião e “caretisse” de pais que são acusados de controlar o comportamento da sociedade, discussões deste tema a parte, já não seria hora de que a sociedade assuma o controle sob si mesma?
Hoje o Rio não continuou tão lindo. Pelo menos para os que imaginaram a dor de Cissa Guimarães. O que não pode, é esperarmos que essas tragédias se abatam sobre nossas famílias para que então comecemos a pensar e agir. E não podemos esquecer que são 27 mil famílias a cada ano.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

O Twitter foi subvertido

O Twitter foi subvertido. Não que essa tenha sido uma má notícia, mas de fato, foi o que aconteceu. Prova clara disso é a pergunta que se lia no topo do formulário de envio das mensagens no site: “What are you doing?” (O que você está fazendo?). Outrora respondida à risca no início das atividades do site, hoje é seguida de respostas que mais demonstram o estado de espírito dos usuários e suas revoltas sociais, econômicas ou políticas.

E isso foi sucesso. De mero anunciador de banalidades a ferramenta passou a oferecer um sistema simples de informação e reflexão, que une os “twitters” em grupos de interesse. A ferramenta passou a exercer a função de headnews no melhor estilo “Você Repórter”.

E seguindo à risca o conselho “não pode vencê-los, junte-se a eles!”, o site agora trás outra pergunta: “What’s happening?” sinal claro de que a função agora é outra. E o Twitter tornou-se agora mais um inimigo das empresas de comunicação jornalística. Depois da popularização da ferramenta, o Furo, foi furado. Michael Jackson, Farah Fawcett e Brittany Murphy já estavam mortos há tempos no Twitter quando as primeiras notícias surgiram nas redes de TV e nos portais de internet.

O uso nas empresas

Muitas empresas já adotam a utilização da ferramenta em suas ações de comunicação, tarefa importante que se torna desgastante se for realmente gerida com cautela. A velocidade com que as informações são divulgadas e a facilidade com que as pessoas podem emitir suas opiniões fazem do Twitter uma ferramenta poderosa, para o bem ou para mal. Por exemplo, em suas recentes férias, o humorista Evandro Santo, que dá forma ao personagem Christian Pior (Pânico na TV), teve problemas com a agência de viagens na qual ele havia feito o pacote para curtir as férias. Visivelmente nervoso (deixaremos aqui de analisar o mérito da situação), foi ao Twitter desabafar. Contou os problemas enfrentados e armou o barraco, claro, citando o nome da empresa envolvida. Não demorou nem cinco minutos para que os seus primeiros seguidores (o humorista tem 711 seguidores no perfil @SantoEvandro) manifestassem experiências semelhantes com a empresa, seguidos de incalculáveis “RT’s” (re-twitts, ou republicação do Twitt de outro usuário) bombassem por toda a rede. Isso mostra a capacidade da ferramenta em mobilizar pessoas em torno de causas. Os Flash Mobs, já discutidos no fórum anterior, também encontraram no Twitter um espaço para disseminar seus projetos e mobilizar participantes.

Como comunicólogo, fico ainda inconformado com os departamentos de SI das empresas que promovem censura ou restrição ao uso destes sites no ambiente de trabalho. Certo que os defensores do bloqueio alegam ser uma ferramenta que vai contra a produtividade, mas a realidade mostra o contrário. Os abusos cometidos por funcionários devem ser repreendidos e até punidos, mas o ato de bloquear essas ferramentas (entenda-se por todas as mídias sociais) leva apenas a um atraso na comunicação da empresa e a faz correr na contramão da própria sociedade pela qual ela trabalha. É função dos departamentos de comunicação (ou na falta deles, o assessor de comunicação) alertarem a diretoria da empresa para a necessidade de se posicionarem de maneira proativa e utilizar essas ferramentas, incorporando suas funcionalidades à atividade laboral e promovendo através dela as demandas da corporação.

Enfim, é dever do responsável pela comunicação da empresa (seja a interna ou a externa) zelar para que a empresa não fique fora das novas tecnologias. E esse dever é exercido através da ação participativa nessas redes. Há quem “deteste” Orkut, FaceBook, Twitter, Via6, Blogger, etc... e prefira ficar de fora do universo das mídias digitais. Mas essa saída tem um preço alto, se comparada às vantagens advindas da utilização responsável e consciente dessas ferramentas. Enquanto escrevo este artigo/comentário recebi um “twitti” que dizia “Como é doce o sabor de baixar algo que pagaria R$ 60,00.” Junto à mensagem seguia o link para download pirata do novo álbum da cantora Laura Pausini. Digitei RT dizendo “Pirataria é Crime =o” e pronto. Estava armado o debate. Em cerca de um único minuto, seis usuários já debatiam sobre hipocrisia, crimes digitais, “analfabytismo”, entre outras coisas. Isso mostra o poder da ferramenta na própria formação da opinião da sociedade/usuários, apesar de acalorado terminamos todos nos abraçando no Buddy Poke.

Diferentemente do que se pensa e é levantado por aqueles que são contra as mídias sociais e o jornalismo na internet, ferramentas como o Twitter e o RSS não prejudicam a informação. A dinâmica dessas ferramentas, que limitam o uso de caracteres, vem justamente da sua característica instantânea, e não podemos esquecer que no caso do Twitter, a ferramenta foi subvertida. Sua função inicial era justamente informar “O que você está fazendo?”, os novos usuários foram os que forçaram a ferramenta a adotar o modelo “o que acontece?” postando “notícias” sobre o cotidiano.

Os apocalípticos sempre aproveitam o surgimento de novas ferramentas para anunciar o fim do jornalismo (ou de sua qualidade), mas sempre sobrevivemos. E sobrevivemos porque apesar de instantâneas e de largo alcance, essas ferramentas não substituem o jornalismo. Um exemplo prático: na madrugada de hoje (7 de janeiro) a cidade de Uberaba enfrentou uma chuva de aproximadamente uma hora de duração, suficiente para promover uma das maiores enchentes já ocorrida na cidade, mas que devido à experiência anterior não trouxe conseqüências trágicas. Ainda na madrugada, um morador do centro da cidade registrou, da sacada do primeiro andar do prédio onde mora, as imagens da enchente. Postou o vídeo no Youtube e enquanto os jornais da cidade estampavam na manchete da manha de hoje noticias sobre operações da policia, inaugurações, festas, etc., usuários do Twitter, já publicavam às 7 da manhã (cerca de três horas após a chuva) o link para o vídeo. Isso não impediu que as emissoras de televisão da cidade passassem a manhã entrevistando autoridades, percorrendo hospitais em busca de possíveis feridos, realizando imagens dos estragos, muito menos prejudicou o trabalho dos redatores e fotógrafos na busca pelos relatos do caos. E certamente, a maioria dos que acompanharam os relatos via Twitter ou ainda que assistiram ao vídeo no youtube, também sairão na busca do desenrolar dos 140 caracteres iniciais. E é justamente aí onde está a questão: tudo depende do interesse do receptor e não só das ferramentas de informação disponíveis. O segredo é estar presente e utilizar essas ferramentas, na busca de atingir o maior público possível. O Twitter foi subvertido, mas isso não é tão mau assim.
(Extraído do Fórum de Novas Mídias. Curso de Pós Graduação em Comunicação Corporativa da UGM - Por Luiz M. Pereira, Jornalista e Assessor de Comunicação. Ex-aluno do Curso de Jornalismo da UNIUBE)

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Acidente pode ser o maior da aviação brasileira - Comentário

01/06/2009 - 11:49 - Atualizado em 01/06/2009 - 12:40

Acidente pode ser o maior da aviação brasileira

Se confirmadas as mortes das 228 pessoas no voo da Air France, pode ser a maior tragédia da história aeronáutica do país.

REDAÇÃO ÉPOCA

TRAGÉDIA
Em julho de 2007, um Airbus da TAM se chocou com um prédio da própria companhia, ao lado do aeroporto de Congonhas, causando a morte de 199 pessoas.A Aeronáutica realiza buscas no litoral do Brasil pelo Airbus A330 da Air France. A aeronave, que transportava 216 passageiros e 12 tripulantes, saiu neste domingo do Rio de Janeiro e deveria ter pousado em Paris na manhã desta segunda-feira (1º). Pouco antes de sumir, o avião emitiu uma mensagem de pane elétrica (leia mais sobre as investigações do acidente). Se forem confirmadas as mortes de todos os ocupantes, o acidente com o voo 447 será o pior já registrado no país.

O acidente com o maior número de vítimas da aviação brasileira até hoje registrado aconteceu em 17 de julho de 2007, com o voo 3054 da TAM. O Airbus 320 que vinha de Porto Alegre não conseguiu frear na pista do aeroporto de Congonhas e chocou-se com um prédio da própria empresa, matando 199 pessoas.


DESTROÇOS
A queda de um Boeing da Gol no meio da floresta, em Mato Grosso, matou 154 pessoas, em setembro de 2006Em 29 de setembro de 2006, 154 pessoas morreram no acidente com o voo 1907 da Gol, que caiu após colidir com um jato Legacy. Os destroços foram encontrados em uma área de floresta próxima de Peixoto de Azevedo (MT). A aeronave, um Boeing 737, saiu de Manaus com destino ao Rio de Janeiro, com escala em Brasília.

Em outubro de 1996, 99 pessoas morreram no acidente com o Fokker 100 da TAM que ia de Congonhas para o Rio de Janeiro. A aeronave caiu logo depois de decolar e atingiu casas no Jabaquara, bairro da zona sul de São Paulo.
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Comentário que realizei com relação à esta matéria e que enviei à Epoca.com.br. Não sei se irão publicar e como a internet é democrática, pelo menos aqui, falo o que quero:
"Se confirmadas as mortes das 228 pessoas no voo da Air France, pode ser a maior tragédia da história aeronáutica do país. " Concordo que em um acidente destas proporções as chances de encontrar os passageiros com vida diminuem a cada segundo, mas por ética e respeito às famílias e às próprias vítimas, poderíamos evitar que este tipo de texto fosse veiculado de forma tão prematura. Entendo que a cobertura jornalística é extremamente importante para o momento, mas lançar mão de pautas deste nível, antes que seja confirmado qualquer resultado é especulativo e degrada a imagem da revista Época, que assino há 10 anos, justamente por se portar costumeiramente com respeito e ética. Na minha opinião esta matéria destoa completamente dos principíos da revista e me decepciona enquanto leitor.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Absurdos que assistismos todos os dias...

Passageiros que dizem ter sido agredidos em estação de trem vão à delegacia
Um deles contou que estava desembarcando quando levou socos.
Ele também teria apanhado com chicote, e teve a mochila rasgada.
Do G1, no Rio, com informações do Radar RJ e da Globonews
Passageiros que dizem ter sido agredidos por agentes da SuperVia na manhã desta quarta-feira (15) na estação de trens de Madureira, no subúrbio do Rio, foram prestar queixa na 29ª DP (Madureira).
Uma das vítimas, o promotor de vendas Olavo Nunes, 23 anos, contou que foi atingido por socos e chicotadas. Segundo ele, o chicote parecia ser feito de câmara de ar de pneu.
Olavo também teve a mochila rasgada durante a agressão.
"Eu estava desembarcando na estação para pegar um ônibus. Eu estava indo para o trabalho, quando os seguranças começaram a agredir os passageiros. Nem bicho merece ser chicoteado, quanto mais um ser humano. Fiquei apavorado", disse.
Imagens flagraram agressão
Imagens flagraram na manhã desta quarta agentes da SuperVia, concessionária do transporte ferroviário do Rio, agredindo passageiros na estação de Madureira. As imagens mostram que os agressores chegaram a utilizar uma espécie de chicote contra eles.
Segundo informações iniciais, os passageiros agredidos estavam impedindo que as portas das composições se fechassem. As imagens também mostram passageiros em cima do trem.
A SuperVia informou que os agentes são treinados para garantir que as portas se fechem sem o uso da força física. E disse ainda que os passageiros que impedem o fechamento das portas estão cometendo o crime de colocar a vida dos outros em risco e também de dano ao patrimônio.

SuperVia confirma um agente detido
O diretor de marketing da SuperVia, José Carlos Leitão, falou, em entrevista pelo telefone à Globonews, que um funcionário da concessionária foi afastado após o incidente. As imagens mostram, no entanto, três ou quatro agentes agredindo os passageiros mesmo após as portas dos vagões terem sido fechadas e já com o trem em movimento.
Segundo ele, os funcionários não são orientados a agredir passageiros, mas ele não descarta a possibilidade de terem havidos excessos por parte dos agentes.
Leitão informou ainda que a Polícia Militar já foi chamada e que só este ano 200 pessoas foram presas por impedir o fechamento das portas dos vagões.