"Que a morte de tudo o que Eu acredito não me tape os ouvidos nem a boca"
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
Prá não dizer que não falei das flores
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Nas escolas nas ruas, campos, construções
Caminhando e cantado e seguindo a canção
Vem vamos embora que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora não espera acontecer
Pelos campos a fome em grandes plantações
Pelas ruas marchando indecisos cordões
Ainda fazem da flor seu mais forte refrão
E acreditam nas flores vencendo o canhão
Vem vamos embora que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora não espera acontecer
Há soldados armados, amados ou não
Quase todos perdidos de armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam uma antiga lição:
De morrer pela pátria e viver sem razão
Vem vamos embora que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora não espera acontecer
Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Somos todos soldados, armados ou não
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais, braços dados ou não
Os amores na mente, as flores no chão
A certeza na frente, a história na mão
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Aprendendo e ensinando uma nova lição
Vem vamos embora que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora não espera acontecer
Geraldo Vandré
Somos todos iguais braços dados ou não
Nas escolas nas ruas, campos, construções
Caminhando e cantado e seguindo a canção
Vem vamos embora que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora não espera acontecer
Pelos campos a fome em grandes plantações
Pelas ruas marchando indecisos cordões
Ainda fazem da flor seu mais forte refrão
E acreditam nas flores vencendo o canhão
Vem vamos embora que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora não espera acontecer
Há soldados armados, amados ou não
Quase todos perdidos de armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam uma antiga lição:
De morrer pela pátria e viver sem razão
Vem vamos embora que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora não espera acontecer
Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Somos todos soldados, armados ou não
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais, braços dados ou não
Os amores na mente, as flores no chão
A certeza na frente, a história na mão
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Aprendendo e ensinando uma nova lição
Vem vamos embora que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora não espera acontecer
Geraldo Vandré
terça-feira, 12 de agosto de 2008
Carta Aberta ao Supremo Tribunal Federal
Excelentíssima Senhora Ministra Ellen Gracie, Excelentíssimo Senhor Ministro Gilmar Mendes e Excelentíssimos Senhores Ministros do Supremo Tribunal Federal,
Há alguns dias me encontro preocupado com a tramitação do recurso extraordinário 511961 que trata da obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício profissional. O que me causa preocupação é o fato de existir a possibilidade de esta corte considerar a exigência do diploma inconstitucional.
Há quatro anos debruço-me sobre livros e pesquisas, participo de palestras e freqüento diariamente as aulas da minha faculdade, a qual pago com o dinheiro que recebo trabalhando oito horas por dia. Me desdobro em dois para conseguir agregar conhecimento e teoria na minha formação e conseguir ser nos próximos anos um bom jornalista. No decorrer destes quatro anos, pude observar com olhar mais critico o trabalho de pessoas, que sem possuírem diploma ou formação teórica, se dizem jornalistas profissionais. O resultado do trabalho deste tipo de profissional eu vejo todas as manhãs, quando recebo os jornais que circulam em minha cidade e estampam corpos, sangue e todo o tipo de aberração que tem o único objetivo de chocar o leitor (diferentemente do que faria um profissional que tem por função informar). E lamento, por mim, pela profissão e pelas pessoas que são invadidas em sua intimidade e forçadas a conviver com esse tipo de “jornalista”.
Hoje, trabalham profissionais formados e não-formados, estes últimos amparados por liminares ou por proteção política e econômica. O reflexo disto é um golpe sobre a dignidade da profissão. Pago R$690,00 por mês para que a universidade me ofereça professores qualificados e estrutura que me possibilite exercer com ética e competência a missão jornalística, ao passo que, o valor médio pago aos jornalistas na minha região (Triângulo Mineiro e norte de São Paulo) gira em torno dos R$800,00. E pior de tudo, o mais constrangedor é saber que existem “jornalistas” sem diploma, que trabalham por valores inferiores a esses.
Mas o problema não mora apenas na desvalorização do profissional ou na enorme quantidade de estudantes que perderão o curso superior caso a exigência seja inconstitucional. O problema maior é que sem diploma e sem regulamentação, estaremos abrindo as portas para receber pessoas sem nenhum comprometimento com a ciência jornalística. Profissionais desprovidos da teoria que há anos é desenvolvida e pesquisada. Retirar a exigência é golpear a democracia em seu peito negando-lhe a garantia da informação ética. É jogar aos lobos as conquistas da profissão. Não nego que haja pessoas capazes de conduzir à ética e produzir textos técnicos da mais alta qualidade sem terem sequer sentado nos bancos da faculdade de jornalismo, mas não posso fechar os olhos diante da imensa maioria iletrada que ataca a profissão de jornalista ao ter espaço em veículos de informação e cometer abusos que violam os direitos que adquirimos com a constituição de 1988, direitos esses que são garantidos por esta corte.
Escrevo-lhes como cidadão e futuro jornalista, que está consciente da necessidade das universidades na formação dos profissionais deste país. Agradeço-lhes o trabalho que desenvolvem ao fazer cumprir a lei maior desta nação, que certamente não é conivente com a desprofissionalização do jornalismo.
Há alguns dias me encontro preocupado com a tramitação do recurso extraordinário 511961 que trata da obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício profissional. O que me causa preocupação é o fato de existir a possibilidade de esta corte considerar a exigência do diploma inconstitucional.
Há quatro anos debruço-me sobre livros e pesquisas, participo de palestras e freqüento diariamente as aulas da minha faculdade, a qual pago com o dinheiro que recebo trabalhando oito horas por dia. Me desdobro em dois para conseguir agregar conhecimento e teoria na minha formação e conseguir ser nos próximos anos um bom jornalista. No decorrer destes quatro anos, pude observar com olhar mais critico o trabalho de pessoas, que sem possuírem diploma ou formação teórica, se dizem jornalistas profissionais. O resultado do trabalho deste tipo de profissional eu vejo todas as manhãs, quando recebo os jornais que circulam em minha cidade e estampam corpos, sangue e todo o tipo de aberração que tem o único objetivo de chocar o leitor (diferentemente do que faria um profissional que tem por função informar). E lamento, por mim, pela profissão e pelas pessoas que são invadidas em sua intimidade e forçadas a conviver com esse tipo de “jornalista”.
Hoje, trabalham profissionais formados e não-formados, estes últimos amparados por liminares ou por proteção política e econômica. O reflexo disto é um golpe sobre a dignidade da profissão. Pago R$690,00 por mês para que a universidade me ofereça professores qualificados e estrutura que me possibilite exercer com ética e competência a missão jornalística, ao passo que, o valor médio pago aos jornalistas na minha região (Triângulo Mineiro e norte de São Paulo) gira em torno dos R$800,00. E pior de tudo, o mais constrangedor é saber que existem “jornalistas” sem diploma, que trabalham por valores inferiores a esses.
Mas o problema não mora apenas na desvalorização do profissional ou na enorme quantidade de estudantes que perderão o curso superior caso a exigência seja inconstitucional. O problema maior é que sem diploma e sem regulamentação, estaremos abrindo as portas para receber pessoas sem nenhum comprometimento com a ciência jornalística. Profissionais desprovidos da teoria que há anos é desenvolvida e pesquisada. Retirar a exigência é golpear a democracia em seu peito negando-lhe a garantia da informação ética. É jogar aos lobos as conquistas da profissão. Não nego que haja pessoas capazes de conduzir à ética e produzir textos técnicos da mais alta qualidade sem terem sequer sentado nos bancos da faculdade de jornalismo, mas não posso fechar os olhos diante da imensa maioria iletrada que ataca a profissão de jornalista ao ter espaço em veículos de informação e cometer abusos que violam os direitos que adquirimos com a constituição de 1988, direitos esses que são garantidos por esta corte.
Escrevo-lhes como cidadão e futuro jornalista, que está consciente da necessidade das universidades na formação dos profissionais deste país. Agradeço-lhes o trabalho que desenvolvem ao fazer cumprir a lei maior desta nação, que certamente não é conivente com a desprofissionalização do jornalismo.
quarta-feira, 30 de julho de 2008
Editorial
Editorial publicado na edição de lançamento da Revista Exclusiva. Autor: Luiz Maurício Pereira, 5º Período de Jornalismo.
Leveza. A busca para consegui-la nos textos a fim de chegar ao estilo magazine exigido para as revistas de conteúdo diversificado nos colocou “numa sinuca de bico”.
Como reunir informações variadas
e organizá-las para que se tornem saborosas aos olhos do leitor?
A resposta teremos daqui há uns dez, talvez vinte anos, quando formos profissionais formados pela
faculdade e surrados pelo mercado.
Nossa tentativa de trazer algo que seja utilizado por nossos leitores no dia-a-dia (leia a matéria sobre o Uberabense Poupador e viaje com nossa seção de turismo) ou na hora de refletir o motivo da própria existência humana (confira
a reportagem sobre voluntariado),
nos deixa orgulhosos em unir assuntos tão diferentes.A matéria de capa traz a história
de vida de uma freira, que vive reclusa há mais de meio século e dedica sua vida à religião e às obras de assistência social. E produzi-
la foi um desafio à parte. Com tantas regras que cercam a clausura,
foi necessário apelar para as “amizades” e conseguir chegar até nossa fonte. Daí em diante um conflito ético nos levou a uma verdadeira
negociação turca para conseguir a publicação do texto apresentado nesta edição. Do outro
lado da cidade, encontramos uma rua, seguida de uma ponta a outra por bares que atendem aos mais variados e exóticos gostos.Descobrimos que o uberabense se mostra conservador na hora de gastar seu dinheiro, que para economizar
nas roupas sem perder a classe e a elegância é possível recorrer
à brechós espalhados pela cidade. Percebemos que a falta de dinheiro nos motiva a inovar na hora
de prestar serviços e que esses serviços podem ser bem-sucedidos e tornarem-se referência turística para uma cidade.Assuntos tão sérios, que são quebrados
pelas mais recentes “fofocas”,
no bom sentido da palavra, se é que ele existe, e tornam a leitura leve e porque não, engraçada.Esta é a nossa primeira revista e porque não acreditar ser a primeira de muitas? Aqui está reunido o fruto do esforço, da dedicação e do suor de repórteres que em breve estarão engrenados no mercado do jornalismo. Nas próximas páginas encontraremos
defeitos, erros, desconfigurações,
que certamente se perderão na medida em que evoluirmos profissionalmente.
Lembrando sempre
que a base para um grande desenvolvimento depende também
da nossa ousadia em descoCarta
do Editor
brir coisas novas, irmos em busca do difícil, do inesperado e por fim, do exclusivo.Que nos encontremos daqui há dez anos, depois da surra, para que juntos façamos um balanço desta edição e vejamos se conseguimos
entender o pensamento dos leitores. Poderemos até produzir
novas edições, mas essa em especial
será sempre Exclusiva. E que você leitor esteja vivo daqui há dez anos para poder ler a edição
“Revista e Atualizada” da nossa
magazine.
Leveza. A busca para consegui-la nos textos a fim de chegar ao estilo magazine exigido para as revistas de conteúdo diversificado nos colocou “numa sinuca de bico”.
Como reunir informações variadas
e organizá-las para que se tornem saborosas aos olhos do leitor?
A resposta teremos daqui há uns dez, talvez vinte anos, quando formos profissionais formados pela
faculdade e surrados pelo mercado.
Nossa tentativa de trazer algo que seja utilizado por nossos leitores no dia-a-dia (leia a matéria sobre o Uberabense Poupador e viaje com nossa seção de turismo) ou na hora de refletir o motivo da própria existência humana (confira
a reportagem sobre voluntariado),
nos deixa orgulhosos em unir assuntos tão diferentes.A matéria de capa traz a história
de vida de uma freira, que vive reclusa há mais de meio século e dedica sua vida à religião e às obras de assistência social. E produzi-
la foi um desafio à parte. Com tantas regras que cercam a clausura,
foi necessário apelar para as “amizades” e conseguir chegar até nossa fonte. Daí em diante um conflito ético nos levou a uma verdadeira
negociação turca para conseguir a publicação do texto apresentado nesta edição. Do outro
lado da cidade, encontramos uma rua, seguida de uma ponta a outra por bares que atendem aos mais variados e exóticos gostos.Descobrimos que o uberabense se mostra conservador na hora de gastar seu dinheiro, que para economizar
nas roupas sem perder a classe e a elegância é possível recorrer
à brechós espalhados pela cidade. Percebemos que a falta de dinheiro nos motiva a inovar na hora
de prestar serviços e que esses serviços podem ser bem-sucedidos e tornarem-se referência turística para uma cidade.Assuntos tão sérios, que são quebrados
pelas mais recentes “fofocas”,
no bom sentido da palavra, se é que ele existe, e tornam a leitura leve e porque não, engraçada.Esta é a nossa primeira revista e porque não acreditar ser a primeira de muitas? Aqui está reunido o fruto do esforço, da dedicação e do suor de repórteres que em breve estarão engrenados no mercado do jornalismo. Nas próximas páginas encontraremos
defeitos, erros, desconfigurações,
que certamente se perderão na medida em que evoluirmos profissionalmente.
Lembrando sempre
que a base para um grande desenvolvimento depende também
da nossa ousadia em descoCarta
do Editor
brir coisas novas, irmos em busca do difícil, do inesperado e por fim, do exclusivo.Que nos encontremos daqui há dez anos, depois da surra, para que juntos façamos um balanço desta edição e vejamos se conseguimos
entender o pensamento dos leitores. Poderemos até produzir
novas edições, mas essa em especial
será sempre Exclusiva. E que você leitor esteja vivo daqui há dez anos para poder ler a edição
“Revista e Atualizada” da nossa
magazine.
Invasão é Crime
A ABCZ (Associação Brasileira dos Criadores de Gado Zebu) publicou hoje, 30 de julho de 2008, um manifesto sobre as invasões de terra promovidas pelo MST (movimento dos trabalhadores rurais sem-terra). Leia e comente o texto... Merece consideração, mas também uma analise profunda do tema...
Invasão é Crime
A Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) manifesta o seu repúdio à “rotina” de invasões de propriedades rurais no País, em aberto desrespeito às leis e em absoluto descompasso com o papel que os produtores rurais desempenham no desenvolvimento da economia nacional, no abastecimento de alimentos para o mercado interno e nas exportações para todo o mundo.
A mais recente em destaque nos veículos de comunicação é a invasão da Fazenda Maria Bonita, da Agropecuária Santa Bárbara Xinguara, no município de Eldorado do Carajás (PA), no último dia 25 de julho, por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Uma invasão emblemática que evidencia os métodos de líderes que se aproveitam de situações que dão margem à adoção de aparentes justificações para seus atos, “palatáveis”, talvez, para o cidadão que vive nos centros urbanos, a centenas de quilômetros da realidade do meio rural, sob o peso de inúmeras obrigações, dificuldades e informações do cotidiano.
Observada de perto, porém, é mais uma agressão à ordem pública injustificável sob todos os aspectos: o legal, o social, o econômico e o político.
No aspecto legal é mais uma afronta ao Estado de Direito que desconsidera princípios consagrados na Constituição brasileira e nas Cartas Magnas de quase todos os países. A aceitação do argumento de que o imóvel invadido é alvo de questionamento quanto à regularidade da transação entre o antigo e a atual proprietária implica em admitir que indivíduos ou movimentos de qualquer natureza se invistam do exercício das atribuições do Poder Judiciário para julgar sobre pendências do seu interesse, uma vez que a situação jurídica da Fazenda Maria Bonita ainda se encontra sob exame e não foi objeto sequer de decisões em primeira instância judicial.
Sob os aspectos econômicos e sociais a invasão é outra afronta ao sistema produtivo brasileiro, aos interesses da sociedade paraense e à própria Reforma Agrária.
Os empreendimentos da Agropecuária Santa Bárbara Xinguara no Pará são reconhecidos pelo investimento em profissionais qualificados, tecnologia de ponta e alta qualidade genética animal, com resultados expressivos em volume de produção e produtividade.
São investimentos que estão contribuindo para a transformação da pecuária do Pará em uma atividade produtiva avançada e competitiva, capaz de gerar novos e melhores empregos e mais receitas públicas.
É também injustificável a ocorrência de qualquer nova invasão de terras no atual estágio da Reforma Agrária brasileira e diante dos níveis dos investimentos que estão sendo feitos para o fortalecimento da Agricultura Familiar e dos pequenos produtores. É lamentável que líderes de um movimento que empunha bandeiras sociais não reconheçam os passos já dados nesse processo e o melhor caminho a seguir e insistam em comandar ações desnecessárias para os objetivos da Reforma Agrária e meramente provocativas, destrutivas ou intimidatórias. Lembre-se aqui a recente invasão à Vale do Rio Doce.
. Vê-se, então, em tais invasões apenas o discurso anacrônico, autoritário e unilateral de líderes indispostos para o diálogo político, a convivência democrática e o respeito às leis, reproduzido em ações que provocam instabilidade, insegurança e conflitos nos campos brasileiros. Campos que têm a missão de produzir cada vez mais e com mais produtividade e qualidade, para contribuir com a superação da “crise de alimentos” que preocupa governantes, especialistas e povos de todo o planeta.
Cumpre às autoridades competentes e à própria sociedade não contemporizar com a agressão ao Estado de Direito e não relativizar com o fato de que uma invasão de uma propriedade rural ou urbana é crime. E nenhum tipo de crime deveria ser encarado com naturalidade.
Associação Brasileira dos Criadores de Zebu - ABCZ
Invasão é Crime
A Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) manifesta o seu repúdio à “rotina” de invasões de propriedades rurais no País, em aberto desrespeito às leis e em absoluto descompasso com o papel que os produtores rurais desempenham no desenvolvimento da economia nacional, no abastecimento de alimentos para o mercado interno e nas exportações para todo o mundo.
A mais recente em destaque nos veículos de comunicação é a invasão da Fazenda Maria Bonita, da Agropecuária Santa Bárbara Xinguara, no município de Eldorado do Carajás (PA), no último dia 25 de julho, por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Uma invasão emblemática que evidencia os métodos de líderes que se aproveitam de situações que dão margem à adoção de aparentes justificações para seus atos, “palatáveis”, talvez, para o cidadão que vive nos centros urbanos, a centenas de quilômetros da realidade do meio rural, sob o peso de inúmeras obrigações, dificuldades e informações do cotidiano.
Observada de perto, porém, é mais uma agressão à ordem pública injustificável sob todos os aspectos: o legal, o social, o econômico e o político.
No aspecto legal é mais uma afronta ao Estado de Direito que desconsidera princípios consagrados na Constituição brasileira e nas Cartas Magnas de quase todos os países. A aceitação do argumento de que o imóvel invadido é alvo de questionamento quanto à regularidade da transação entre o antigo e a atual proprietária implica em admitir que indivíduos ou movimentos de qualquer natureza se invistam do exercício das atribuições do Poder Judiciário para julgar sobre pendências do seu interesse, uma vez que a situação jurídica da Fazenda Maria Bonita ainda se encontra sob exame e não foi objeto sequer de decisões em primeira instância judicial.
Sob os aspectos econômicos e sociais a invasão é outra afronta ao sistema produtivo brasileiro, aos interesses da sociedade paraense e à própria Reforma Agrária.
Os empreendimentos da Agropecuária Santa Bárbara Xinguara no Pará são reconhecidos pelo investimento em profissionais qualificados, tecnologia de ponta e alta qualidade genética animal, com resultados expressivos em volume de produção e produtividade.
São investimentos que estão contribuindo para a transformação da pecuária do Pará em uma atividade produtiva avançada e competitiva, capaz de gerar novos e melhores empregos e mais receitas públicas.
É também injustificável a ocorrência de qualquer nova invasão de terras no atual estágio da Reforma Agrária brasileira e diante dos níveis dos investimentos que estão sendo feitos para o fortalecimento da Agricultura Familiar e dos pequenos produtores. É lamentável que líderes de um movimento que empunha bandeiras sociais não reconheçam os passos já dados nesse processo e o melhor caminho a seguir e insistam em comandar ações desnecessárias para os objetivos da Reforma Agrária e meramente provocativas, destrutivas ou intimidatórias. Lembre-se aqui a recente invasão à Vale do Rio Doce.
. Vê-se, então, em tais invasões apenas o discurso anacrônico, autoritário e unilateral de líderes indispostos para o diálogo político, a convivência democrática e o respeito às leis, reproduzido em ações que provocam instabilidade, insegurança e conflitos nos campos brasileiros. Campos que têm a missão de produzir cada vez mais e com mais produtividade e qualidade, para contribuir com a superação da “crise de alimentos” que preocupa governantes, especialistas e povos de todo o planeta.
Cumpre às autoridades competentes e à própria sociedade não contemporizar com a agressão ao Estado de Direito e não relativizar com o fato de que uma invasão de uma propriedade rural ou urbana é crime. E nenhum tipo de crime deveria ser encarado com naturalidade.
Associação Brasileira dos Criadores de Zebu - ABCZ
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